All I can do is be me...
Whoever that is...
WTF???
Christian Bale is growing on me!!! NOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!
Blame The Prestige... blame The Dark Knight, Batman Begins, The New World and American Psycho.........
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Leonor tinha acabado de sair do Alfa Pendular, mochila às costas, saco desportivo a tiracolo e carteira ao ombro.
Uma viagem, que tinha durado cerca de quatro horas, tinha-lhe deixado marcas visíveis de cansaço.
Àquela hora da noite, a estação de comboios estava praticamente deserta. Apenas uma mulher, com um casaco escuro de lã e uns jeans azuis, permanecia de pé no meio do terminal. Assim que Leonor a viu, um sorriso luminoso atravessou as faces de ambas.
- Como é que estão todos lá em casa? – perguntou Leonor, tentando fugir ao verdadeiro significado daquela exclamação.
Na verdade, o seu afastamento daquela cidade, havia tanto tempo, tinha apanhado todas as suas relações de surpresa e, consequentemente, alguns sentiram-se indignados com a sua silenciosa partida. Principalmente, a família da sua amiga Mafalda, com quem tinha vivido durante a sua vida académica.
- Como é que eles estão, Mafalda? – voltou a perguntar Leonor. – Como é que estão os teus pais? E os teus irmãos?
- O Simão está, finalmente, a acabar o curso de Bioquímica… Deixou a Tuna e esteve dois anos na Hungria…
Leonor sentiu toda a amargura latente nas palavras de Mafalda. Será que ela nunca iria ser perdoada?
- Mas… ele está bem? – perguntou Leonor, receosa.
Leonor baixou os olhos imediatamente, sentindo-se extremamente culpada. Será que tinha tomado a melhor atitude ao apanhar o comboio para Aveiro ao fim de quase dez anos de ausência?
- Por que é que me telefonaste, Mafalda? – perguntou ela, afastando-se da amiga.
Mafalda olhou para ela seriamente.
- Não conseguiste descobrir assim que ouviste a minha voz?
Então, as suas suspeitas não tinham sido disparatadas. Leonor tinha desconfiado o verdadeiro motivo daquele telefonema, assim que ouviu a voz de Mafalda, em sua casa, em Sintra.
- Anda lá! – afirmou Mafalda, sorrindo e puxando-a por uma mão. – Conversamos depois…
Leonor não teve outra hipótese senão segui-la até ao carro.
No entanto, e apesar de todos os esforços por parte de Mafalda, na manhã seguinte, Leonor não sossegou enquanto não visse as suas questões devidamente respondidas.
- Simão… - murmurou Leonor, só para si. Ela agora tinha a certeza. Novamente, sentindo-se culpada, ela olhou para as suas mãos e, após ter soltado um longo suspiro, olhou para Mafalda. – Como é que ele…
- Reagiu?? – completou a sua amiga, adivinhando os seus pensamentos.
Leonor acenou com a cabeça, fechando os olhos lentamente.
- Assim que me viu chegar a casa sem ti… - começou Mafalda, recordando-se daquele final de tarde, há oito anos atrás. – Ele percebeu logo que te tinhas ido embora!… Se queres que te seja sincera, Leonor… eu nem sei como é que ele reagiu! Passados dois meses estava ele de partida para a Hungria! Durante dois anos, o único contacto que tivemos dele foram os vários e-mails que ele me mandava a dar as novidades! Nunca falou de ti… nunca perguntou por ti!
- E quando ele voltou?…
- Hey!… - exclamou Mafalda, pegando nas mãos de Leonor e afagando-as. – Eu não sei o que se passou entre vocês, mas não te culpabilizes por ele ter tomado as atitudes que tomou… Tu não estavas aqui!
- Não! – respondeu Mafalda. – Só os meus pais! Poderás vê-lo no sábado quando formos almoçar a casa deles!
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O sono regressou na quinta-feira, depois de uma sessão de "A Paixão de Cristo" (não volto a ver esse filme por mais dois ou três anos). Os sonhos deram-me tréguas e, finalmente, consegui alcançar o merecido descanso.
Mas agora, sem motivo aparente, algo indistinto começa a aproximar-se e, sinceramente, já olho para a cama com alguma apreensão. Noites mal dormidas outra vez... não obrigada!
Se calhar o meu problema é o "Orgulho e Preconceito", que ando a ler à algumas semanas. Comprei hoje "As Memórias da Rainha Santa" e li-o em menos de quatro horas, como se fosse um intervalo das peripécias de Elizabeth Bennet. Mas a verdade é que Jane Austen não me tem andado a fazer bem... Se calhar devia deixar de ler obras dela.
Há uns tempos atrás li o "Persuasão"... Enfim, deixou-me com um nó na cabeça que Deus me livre! Como é que é possível que duas pessoas, afastadas pelo rancor de terceiros e levando consigo más recordações das reacções de cada um, pudessem, ao fim de oito anos, voltar a viver tudo o que tinham deixado pendente desde a separação??
Só mesmo Jane Austen... Nos dias que correm, nada disso acontece... a Vida assim não permite. As pessoas não tem permissão de continuar a viver o que abruptamente deixaram de viver.
Jane Austen tem-me deixado com nós na cabeça...
No entanto, não vim aqui para divagar sobre as obras de Jane Austen...
O meu propósito é partilhar esta apreensão que me corre nas veias (que ultimamente têm andado um pouco azuladas e proeminentes) e aquela sensação de que algo não está no devido lugar... Tenho andado a olhar para trás durante o meu percurso para o trabalho, para confirmar que nada me persegue (que mania!).
Acho que o problema é mesmo a minha personalidade... Um dia destes ainda vos revelo o resultado do teste de Roscharch a que me submeti... Coisa linda por demais!
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- Afinal estás aqui!
Para além da voz da minha consciência, aquela era a voz que eu mais queria ouvir naquele preciso momento. Uma voz rouca, quente, o eterno tom urgente e apressado, mas, mesmo assim, terno e aconchegante. Para mim sempre fora, e ainda é, o som associado à protecção e segurança.
Antes de me virar, eu já sabia que seria ele quem estaria ali.
Eu estava sentada, com as pernas a baloiçar ao sabor do vento, à beira do precipício. Ninguém iria procurar-me no terraço deste velho edifício abandonado. Só mesmo ele... No entanto, não me virei na sua direcção assim que ouvi a sua voz.
A gravidade puxava-me em direcção ao asfalto, a vinte andares de distância. Seria uma longa queda e, de certeza, ficaria inconsciente a meio do voo. Levantei as minhas mãos, as palmas ao nível do meu olhar.
- Sai daí! - pediu-me ele, a sua voz ainda mais rouca. Sinal óbvio de extrema preocupação e pânico. - Eu já estou aqui... Pega na minha mão!
Ainda com o olhar sobre as minhas palmas, senti o movimento do seu braço para me alcançar.
"Ele nunca me vai deixar cair!", pensei eu, de certa forma, aliviada por ter alguém a quem me agarrar nesta vida. E, ao tomar consciência disso, sorri para o vento.
Depois, virei-me para ele, profundamente grata.
A sua pele era extremamente pálida, como habitual. Envergava umas calças de ganga azuis-escuras e uma t-shirt preta. A única coisa que desconheço é o seu rosto... Nunca consegui ver o seu rosto, envolto por uma penumbra estranha e desfocada. Todo o seu corpo era-me familiar, o seu cheiro, o tom da sua voz, a suavidade da sua pele... mas o seu rosto é um completo enigma, assim como o seu nome...
Eu sei que caminho para ele, quem quer que seja, e sei que ele paira sobre mim como uma sombra protectora... mas eu desconheço o seu rosto, o seu nome...
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As minhas pernas estavam suspensas no ar, enquanto o resto do meu corpo estendia-se num dos ramos de uma frondosa árvore milenar.
Aqui ninguém seria capaz de me encontrar, aqui eu poderia pensar tranquilamente em tudo o que tinha acontecido desde que algo transcendente e inesperado entrou na minha vida. Foi há quase um ano…
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Fiquei com estranha sensação de que algo não estava assim tão bem… sentia-me irrequieta e desconfiada. Uma sensação bizarra e que detesto sentir. Nunca tiveram aquela sensação de que um balão de ar crescia dentro do vosso peito, ocupando o espaço de uma forma invasiva, tirando-vos o apetite e até mesmo a completa capacidade de respirar? Hoje saí de casa com esse “balão” dentro do meu peito… e isso deixa-me preocupada… o dia ainda não acabou… o que será que virá aí?
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She was standing there by the broken tree
Her hands were all twisted she was pointing at me
I was damned by the light coming out of her eyes
She spoke with a voice that disrupted the sky
She said ' Come on over to the bitter shade,
I will wrap you in my arms and you'll know you've been saved'
Let me sign, let me sign, can't fight the devil so just let me sign.
I was out for a drink in a soho bar
The air was smoked out liked a cheap cigar
She rose out of her seat like a painted ghost
She was the woman that I wanted the most
As she reached for my arm I gave her my hand
I said 'Lay me down easy let me understand'
Let me sign, let sign, can't fight the devil so just let me sign.
As I walked through the door she was still in my head
As I entered the room she was laid there in bed
She reached out for me all twisted in black
I was on my way down, never coming back
Let me sign, let me sign, can't fight the devil so just let me sign.
Let me sign, let me sign, can't fight the devil so just let me sign.
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E, de facto, isso aconteceu! Assim que as aulas recomeçaram tudo começou a acalmar… Também a banda iria descansar… preparar novas músicas para um possível novo álbum.
Era um concurso que daria acesso a um concerto intimista, com um número bastante limitado de pessoas, que eles dariam em Paris, na passagem de ano. Era um concerto apenas para trinta pessoas que, depois, teriam a oportunidade de jantar e passar o ano com eles.
O concurso apenas consistia em responder a perguntas pessoais sobre os elementos da banda e enviar um vídeo onde teríamos de explicar por que razão gostaríamos de ganhar o concurso. Os trinta mais rápidos ganhavam a viagem, o jantar, o concerto e a estadia no mesmo hotel que a banda.
Eu sorri de satisfação! Soube, de imediato, que aquele era o meu momento… Aquele pelo qual eu mais ansiara! Paris ficava longe, é certo! Mas se tudo estaria pago… qual seria o meu problema? A idade não seria entrave pois antes do concerto eu completaria dezoito anos, por isso não haveria problema. Pelo menos era o que eu pensava…
Assim que revelei aos meus pais os meus planos para a passagem de ano, logo eles recusaram a hipótese de eu ir para Paris sozinha…
“Mas eu já enviei tudo!”, afirmei eu. E era verdade! Naquela altura, já eu tinha respondido ao questionário e enviado o vídeo para o site oficial. Agora eu só estaria à espera do resultado!
“Tu nem sequer tens a se ganhaste!”, exclamou a minha mãe. “E nós já tínhamos combinado irmos para casa do avô!”
Por altura do Natal, recebi a melhor prenda que me podiam ter dado! Através do correio chegaram o bilhete do concerto, a passagem de avião e o cartão de acesso aos bastidores do concerto… uma regalia para os cinco mais rápidos dentre os trinta!
Apanhei um autocarro lodo de manhãzinha até à cidade que acolhia o aeroporto e, uma vez lá, apanhei o metro para chegar ao aeroporto. Com o meu mp3 cheio de músicas deles, ainda tive de esperar cinco horas até ao voo.
Foi um autêntico sonho! A viagem de avião foi surpreendentemente calma e revigorante! O meu coração batia de expectativa e a cada passo que me aproximava do local onde eles actuariam parecia que todo o meu corpo iria explodir tal era a excitação.
Porém, nenhuma de nós conseguiu obter essa informação.
Completamente desconsolada, não me restou mais nada senão voltar para o meu quarto.
As horas que antecederam todo o acontecimento duraram eternidades como se não quisessem chegar ao momento em que eu o conheceria! Olhar para o relógio e ver os ponteiros rodarem era ainda mais estafante que uma aula de Educação Física. Mas valia a pena!
O concerto estava marcado para as nove da noite! O jantar seria depois… até à meia-noite. Eram cinco da tarde e eu já revirava a mochila que tinha trazido, com possíveis roupas para o evento. Mas nenhuma delas me satisfazia! Ou eram muito infantis ou então muito formais!
Acabei por sair do hotel e, munida com um dos cartões de crédito do meu pai (que tinha tirado, juntamente, com as coisas da viagem), fui a uma loja que se encontrava do outro lado da rua! Foi lá que eu encontrei a roupa ideal… Umas skinny jeans pretas e uma túnica com decote em V… os sapatos… esses foram o autêntico rombo no cartão do meu pai… Mas não quis saber disso para nada… Eles eram lindos!
Agora sim, ele não me podia ignorar! Eu não lhe passaria despercebida!
Eram sete horas quando voltei ao hotel e… Meu Deus! Lá estavam eles na recepção… o seu estrondoso guarda-costas perto deles e o agente a falar com o gerente do hotel.
Eu não queria acreditar! Ele estava mesmo ali… apenas a alguns metros de distância. Era o sonho da minha vida! Saber que ele estava mesmo ali… à mão de semear… a respirar o mesmo ar que eu! Ele parecia tão normal… tão vulgar… tal e qual como qualquer rapaz da idade dele.
Subitamente, o guitarrista da banda olha na minha direcção e esboça um sorriso.
“Ahn? Não é para mim… de certeza!”, pensei eu imediatamente.
Depois, ele manda-lhe uma ligeira cotovelada e, então, o vocalista olha na minha direcção também. Encolhendo os ombros, ele olha em redor e, sem esboçar qualquer sorriso, vira-se para a frente e começa a falar com o baixista (o amor da minha irmã).
Foi então que me caiu tudo. Ele nem sequer tinha reparado em mim! Pura e simplesmente, decidiu ignorar-me! Mas… o guitarrista continuou a olhar na minha direcção. Que estranho! O que é que ele está a tentar ver?
De repente, percebi o que se passava! O guitarrista estava a olhar para a sua namorada… do outro lado da área de recepção, num anúncio da televisão.
“Dah!”, pensei eu. “Mas é claro…” Por essa razão é que o vocalista não sentiu nenhum interesse em continuar a olhar.
Afinal nem tudo estava perdido!
Subi imediatamente para o meu quarto e preparei-me para o concerto, que se ia realizar no salão de eventos do hotel.
Eram oito horas quando desci e as vinte e nove pessoas restantes já estavam à espera que as portas do salão abrissem para o concerto.
A expectativa e emoção eram palpáveis e só mesmo um autêntico nabo é que não repararia no nervosismo que pairava no ar.
Assim que as portas se abriram, todos nós, por mais estranho que pareça, entrámos pausadamente no salão e sem qualquer tipo de histerismo. Isso era para depois, quando os nossos “meninos” estivessem em palco.
De máquina fotográfica em riste, foi com lágrimas de alegria que eu os vi a subir para o palco. Com um sorriso nos lábios, todos eles se puseram nos seus lugares.
Foi o momento que fez parar o tempo. Agora posso dizer com todas as certezas que quando encontramos a pessoa certa para nós… tudo o resto pára! Isso é completamente verdade… Foi o que me aconteceu naquela noite, assim que os nossos olhares se cruzaram. O lugar na primeira fila que mais ninguém ocuparia. Era todo meu!
Ele ainda era melhor ao vivo! As músicas que ele cantava, tão familiares para mim, tinham agora um novo significado. Nada era defeito… Tudo era perfeição! O jeito dele sorrir… as piadas que ele contava… os agradecimentos que ele fazia… Tudo nele era perfeito!
Hora e meia depois, estava eu, mais quatro pessoas, a serem encaminhadas para os bastidores, a fim de os conhecermos melhor.
Foi de braços abertos que eles nos acolheram no seu camarim onde, durante meia-hora, estivemos à conversa com eles.
Ele sempre sorria para todos nós, no entanto, foram três as vezes que o apanhei a olhar para mim de soslaio… como se estivesse a medir-me.
Nesse momento, ele colocou-nos uma questão: “De onde é que vocês são?” Entre dois franceses, um japonês e um alemão, estava eu… uma grega de famílias conservadoras.
“Grega!?”, exclamou ele, intrigado. “Nós nunca soubemos ter fãs gregos!” E depois, olhou para os restantes membros da banda e sorriu. “Mas conta-me… como é que nos descobriste?”
Sem qualquer timidez, contei tudo o que tinha acontecido durante aquela bendita festa de aniversário.
Eu já tinha captado a sua atenção e a da banda! O resto dos fãs tinham ficado totalmente esquecidos!
A sua curiosidade em saber mais sobre a Grécia prendeu-me junto dele o resto da noite, já que eu me sentei na mesa da banda, entre ele e o guitarrista. Foi aí que dei largas à minha criatividade e tirei o máximo de fotografias deles.
É claro que eles não deixaram de percorrer o resto do salão de jantar, cumprimentando os restantes fãs. Mas a noite seria só minha e dele!
Depois do jantar, fomos todos para a discoteca do hotel, onde se daria a despedida do ano velho.
Com alguns copos a mais, a fama foi completamente posta de lado e a banda envolveu-se com os fãs como se todos fossemos amigos de longa data.
O meu telemóvel, deixado no quarto, acumulava chamadas do meu pai e da minha mãe.
Porém, o meu sonho foi completamente derrotado pela realidade quando se deram as doze badaladas. Foi a meio da contagem decrescente que eu e ele, ambos sob o efeito do álcool, nos envolvemos… num beijo que toda a gente viu e que toda a gente censurou… Mas eu não quis saber… A noite ainda era uma criança e ele acordaria para um novo ano… num quarto que não era o seu!
Trancando a porta do meu quarto, ele olhou para mim com um fogo a que eu não estava habituada. Foi percorrendo o meu corpo com os seus lábios enquanto me despia e foi com uma brutalidade que eu desconhecia que ele se despiu.
Sentindo-o cada vez mais rígido, foi sem experiência que o chamei. No início foi um pouco doloroso, no entanto, senti tudo com satisfação e com o sabor da vitória na minha boca… Aquele era o nosso momento!
Sentia-o dentro de mim, as nossas respirações ofegantes confundindo-se entre gotas de suor e gemidos de prazer. Virando e revirando, tomei consciência de que nunca mais sentiria nada como aquilo que estava a sentir. Um fogo explosivo consumia-me por dentro e por fora… a realidade tinha suplantado tudo o que eu tinha imaginado para aquela noite.
Foi então que, os nossos olhares se cruzaram e com beijo sôfrego ele recomeçou tudo, mesmo antes de tudo terminar.
Nenhuma palavra foi trocada, nenhuma carícia foi correspondida. Apenas um acto selvagem de auto-satisfação que durou toda a noite.
As explosões eram tantas e tão regulares que havia alturas em que ele tinha de me tapar a boca para que nenhum som comprometedor fosse transmitido. Era nessas alturas que ele sentia os meus dentes na carne das suas mãos.
O Sol apanhou-nos desprevenidos e, completamente estafados, apenas acordámos a meio da tarde do dia 1 de Janeiro. Já eu tinha perdido o voo para Atenas e já a banda estava atrasada para um concerto em Itália.
Foi o som de alguém a bater à porta que nos acordou. Foi ele quem abriu a porta, após uma carícia… a única correspondida.
Era o guarda-costas da banda. Com um ar bastante preocupado, falava de um modo autoritário e num inglês que eu nem dei ao trabalho de perceber, tal era o meu cansaço.
Só me lembro dele se aproximar de mim, o meu vocalista, e de me olhar com os olhos repletos de arrependimento.
“I’m so sorry…”, foram estas as suas últimas palavras.
Deixou-me sozinha no quarto, perplexa por ter acordado de forma tão abrupta para a realidade do ano novo!
O meu regresso a casa foi difícil… Após ter perdido o avião que me levaria para casa de graça, tive que esperar seis horas para que o próximo chegasse, mas esse tive que pagar pela viagem. O meu pai não iria ficar nada contente por ter-lhe tirado mais de quinhentos euros da conta… Seria eu alguma vez capaz de lhe retribuir todo aquele dinheiro?
Consegui, finalmente, chegar a casa durante a madrugada. Os meus pais esperavam-me à porta e mal a minha mãe me viu à luz apercebeu-se de que eu estava diferente.
“O que é que andaste a fazer?”, gritou ela, já dentro de casa.
Foi nessa altura que ouvi o maior ralhete que alguma vez podia ter tido. No entanto, tudo se descontrolou quando contei ao meu pai o quanto eu tinha gasto.
Fiquei de castigo até ao Verão! Os álbuns e os dvd’s deles foram-me tirados… a Internet foi cortada e o telemóvel confiscado.
Mas a memória daquela noite ninguém me podia tirar! Porém, também ela me começou a dar problemas. Em Março, a minha mãe mandou-me ao médico. A minha menstruação ainda não tinha vindo… e eu tinha a certeza do que é que se passava… apenas o pânico me mantinha calma.
“A menina está grávida!”, foi o que o médico disse.
A minha mãe entrou em histerismo. O meu pai obrigou-me a revelar o nome do pai da criança. Mas eu não cedi!
“Eu mesma resolvo isto!”, foram as minhas palavras.
“Ele é americano?”, questionou o meu pai. “E por que é que ele não vem para cá?”
“Ele não vem, papá!”, disse eu. E eu sabia que isso era verdade. Ele tinha uma vida muito ocupada e mesmo que ele quisesse vir, aquele guarda-costas nunca deixaria. “É preferível que eu vá! Apenas preciso da vossa ajuda para conseguir os documentos necessários!”
O choque daquela revelação e a quantidade enorme de segurança que os rodeava, impediu-me de lhe contar tudo o que se passava comigo.
Mas aquela mulher encheu-me de malditos pensamentos e sensações ruins.
Alguma coisa tinha de ser feita. Durante uma semana, fechei-me no quarto de hotel, como se estivesse dentro de um casulo, arquitectando um plano para os separar! Ele era meu… como é que ele se atrevia?!
Como tinha arranjado maneira de o seguir, em inícios de Abril, eu estava na terra natal dele.
Comecei por vigiar a vida pessoal dele, tomando parte dos seus convívios familiares e, mais tarde, comecei a vigiar, também, o seu relacionamento com aquela mulher. O seu sorriso provocava-me enjoos e a sua alegria tirava-me o sono.
Era impossível que aquilo continuasse!!!
O dia 11 de Abril amanheceu… e eu já sabia o que havia de fazer. Dirigi-me para a casa dele, onde eu sabia estar ela e ele, os dois na mesma cama.
Entrei pela janela da cozinha e inspeccionei toda a casa. Cada promenor da decoração fazia-me lembrar o seu sorriso, aquele toque macio das suas mãos e dos seus lábios… Bem, se eu não poderia ter isso mais ninguém devia ter.
Apanhei-os aos dois… Abraçados na cama, num sono completamente pacífico. Tudo aquilo me enojou e, de uma forma tão rápida quem nem sequer deu tempo para correr para a casa de banho, colapsei.
Ao ouvir os meus sons agoniados, ele acorda para me encontrar a vomitar no chão do seu quarto.
“O que é que estás aqui a fazer?”, perguntou ele, tentando não acordar a sua companheira.
“Eu estou grávida!”, afirmei eu.
Ele sentou-se no sofá… completamente sem palavras.
“Sim!”
“Agora vens comigo!”, afirmei eu, autoritariamente. “Tu nunca devias ter-me deixado sozinha em Paris!”
“Mas…”
“E agora… deitas-te com outra mulher como se nada tivesse acontecido?! Como é que me pudeste trair dessa forma?”
“Trair?”, ele não conseguia perceber o que eu lhe estava a tentar explicar.
Aquela vida tinha de ser partilhada comigo… Eu é que devia estar ao lado dele.
“Mas não existe nada entre nós!”, exclamou ele.
Eu não me lembro de mais nada a não ser o seu olhar vazio… Olhando para mim… Desculpando-me pelo meu acto.
Ele não deu sinal de alarme e foi com o maior dos silêncios que ele se foi.
Nas minhas mãos estava um revólver com silenciador… Por essa razão a outra mulher não ouviu nada.
Para a maioria das pessoas que lerem o jornal de amanhã apenas verão a morte de um jovem promissor, vocalista de uma banda que tinha milhões de fãs por todo o mundo. Ao seu lado estarei eu… morta de amor…
Serão esses os cinco minutos de fama que nunca mais ninguém me vai roubar!
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Bem-vinda, Octávia!, foi o que eu ouvi. Só depois reparei que era o homem, que dantes se encontrava sentado no trono, que sussurrara ao meu ouvido.
De repente, a guarda da cidade aparece de todos os lados e os presentes começam a gritar e a fugir.
Baco pega na minha mão e leva-me…
Num abrir e fechar de olhos, encontrámo-nos no meu quarto onde ele me deita no meu leito e me aconchega com os lençóis.
Vi-o desaparecer pela janela aberta e depois adormeci! Ninguém sabia, mas eu era a noiva de Baco!
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